sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre gravação: sua utilidade e problema

Eu gosto muito da gravação e de todas as utilidades que ela traz como registro do som. Para nosso estudo de instrumento, é muito útil gravar e depois fazer uma auto-avaliação.
Eu costumava ir para um estúdio na casa de um amigo e gravávamos o ensaio inteiro. Era muito interessante poder nos ouvir. Acontecia um efeito "big brother". Esquecíamos que estava gravando e agíamos com espontaneidade.A gravação captava os melhores momentos quando estávamos bem aquecidos e descontraídos. Depois extraíamos os melhores momentos e passávamos para um CD. Era só uma experiência de estudo.
O problema que eu vejo na gravação que, para outros, pode ser solução, é a maneira artificial como se trabalha em estúdios. Muitos veem isso como vantagem e facilidade da tecnologia. Já eu vejo muitas vezes a gravação de estúdio como uma perda da humanidade na interpretação. Por que digo isso? É que vários trechos colados não são a minha execução. São notas que eu toquei, mas não num todo. É verdade que é mais fácil com os métodos utilizados obter uma perfeição que para gravações comerciais muitas vezes é requerida.
Eu sou antiquada. Eu gosto mesmo é da gravação ao vivo. No caso do pianista, pode acontecer umas esbarradas, mas tem uma emoção que não pode ser substituída por perfeição artificial. No ao vivo, tem a interação dos músicos no caso de se tocar em grupo. A pulsação não vem através de um metrônomo, mas da sintonia com o outro.