terça-feira, 8 de março de 2011

Um piano na estação

Não costumo falar muito no blog sobre minha vida pessoal. Às vezes dou exemplo de experiências minhas, mas costumo escrever mais reflexões gerais.
Hoje falarei sobre um fato interessante que aconteceu comigo. Viajei para São Paulo esses dias. Cheguei na estaçao da Luz no metrô, pois queria visitar o museu da língua portuguesa. Ao chegar, vi uma placa que dizia: cuide bem do nosso piano. Aí fiquei curiosa e fui olhar de que se tratava. É um projeto de um artista em parceria com o SESC. Há três pianos: dois deles ficam fixos nas estações e um deles é itinerante; fica mudando de estação. Todos podem chegar e tocar.
Eu me aproximei do piano e um senhor me disse: estava aqui há 10 minutos esperando alguém para tocar. Eu comecei a tocar e juntou um pessoal em volta. Gostei muito da interação que pode ser criada entre quem está tocando, as pessoas que passam pela estação, pianistas muito bons e outros principiantes, pessoas que nem tocam mas experimentam. E na placa tem também um dizer interessante: "para cada um dar uma palhinha do que sabe". O senhor com quem conversei estava empolgado e gosta muito de ouvir. Ele disse que sempre pára na estação à espera de alguém que possa tocar.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre gravação: sua utilidade e problema

Eu gosto muito da gravação e de todas as utilidades que ela traz como registro do som. Para nosso estudo de instrumento, é muito útil gravar e depois fazer uma auto-avaliação.
Eu costumava ir para um estúdio na casa de um amigo e gravávamos o ensaio inteiro. Era muito interessante poder nos ouvir. Acontecia um efeito "big brother". Esquecíamos que estava gravando e agíamos com espontaneidade.A gravação captava os melhores momentos quando estávamos bem aquecidos e descontraídos. Depois extraíamos os melhores momentos e passávamos para um CD. Era só uma experiência de estudo.
O problema que eu vejo na gravação que, para outros, pode ser solução, é a maneira artificial como se trabalha em estúdios. Muitos veem isso como vantagem e facilidade da tecnologia. Já eu vejo muitas vezes a gravação de estúdio como uma perda da humanidade na interpretação. Por que digo isso? É que vários trechos colados não são a minha execução. São notas que eu toquei, mas não num todo. É verdade que é mais fácil com os métodos utilizados obter uma perfeição que para gravações comerciais muitas vezes é requerida.
Eu sou antiquada. Eu gosto mesmo é da gravação ao vivo. No caso do pianista, pode acontecer umas esbarradas, mas tem uma emoção que não pode ser substituída por perfeição artificial. No ao vivo, tem a interação dos músicos no caso de se tocar em grupo. A pulsação não vem através de um metrônomo, mas da sintonia com o outro.