sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Liberdade e estudo de interpretação

Certo colega há muito tempo me disse que não gostava muito do estudo de piano porque às vezes o professor dizia que um certo trecho tinha que ser tocado de determinada maneira. E ele se questionava: Mas por que tem que ser assim?
Conheci certa vez um garoto que na época deveria ter uns 15 anos e ele dizia que na frente do professor e ao disputar um concurso de piano, ele tocava tudo "certinho" como o professor pediu. Mas quando ia tocar pra amigo, ele não estava nem aí. Acelerava ou ritardava, exagerava no fortíssimo da maneira como o professor falou para não fazer. Eu ri demais e achei muito legal.
A questão é que deve haver na interpretação uma coerência com o estilo da época e do compositor. E isso implica em como se faz o fraseado, agógica, articulação,sonoridade, dinâmica. Porém parece haver já uma herança, um padrão interpretativo em certas peças que de certa forma tiram a liberdade. Às vezes quem ousa fazer diferente é questionado. Glenn Gould, por exemplo, foi muito questionado a respeito do andamento que executava certas peças.
O limite é muito tênue entre buscar uma interpretação coerente e perder totalmente a liberdade.

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