domingo, 29 de agosto de 2010

Aprender a ouvir e ler músicas novas



É importante no ensino da música o aluno tocar algo relacionado à sua vivência. No entanto, há alunos que só querem tocar o que já ouviram. É comum as pessoas irem em busca de aulas de piano querendo tocar pour elise, o primeiro movimento da sonata ao luar de Beethoven, a marcha turca e outras peças que são muito conhecidas. Há uma busca pelos clichês. No entanto, é difícil os alunos entenderem que há milhares de composições, uma literatura pianística imensa que pode ser explorada. Mesmo alunos que têm bastante tempo de estudo me pedem para tocar algo conhecido. Não se abrem para novas possibilidades.
Por que os alunos não se abrem para novas leituras e novas escutas? Na música tocada no rádio as pessoas até têm disposição para ouvir algo novo, mas em breve aquilo será jogado fora. É descartável. Se bem que o novo na mídia é o de sempre, pois os estilos comerciais se baseiam em clichês. Já na música de concerto as pessoas não se abrem para novas escutas. Querem ir ao teatro ouvir o concerto em lá menor de Grieg, o número 1 de Tchaikovsky, a sinfonia 5 de Beethoven e por aí vai. Essas realmente são obras muito belas e eu gosto de ouvir todas elas. No entanto, há compositores contemporâneos criando e o público precisa se abrir para esses novos caminhos ou mesmo para composições dos séculos XVIII e XIX desconhecidas.
A respeito de leitura, às vezes alunos me dizem: "Professora, não conheço essa música." Muitas vezes eles dizem isso como se isso impossibilitasse a leitura. Sei que para iniciantes é complicado a leitura rítmica. E então ouvir a música realmente facilita. No entanto, eu digo para eles que no processo de estudo, a leitura deve atingir a um nível no qual possamos ler músicas nunca antes ouvidas. É claro que tocar algo que faz parte da vivência conduz a uma aprendizagem significativa. Mas deve haver uma transferência para que as mesmas figuras rítmicas utilizadas numa música conhecida sejam executadas num outro contexto.