segunda-feira, 26 de abril de 2010

Música de fundo

Nunca ouvimos tanta música como em nossos dias, porém há uma banalização. Houve uma época em que as pessoas tinham que caminhar muito para ir a um concerto ouvir música. Agora se tornou simples. Todos têm acesso ao rádio, aparelhos de som, CD,mp3.O mercado fonográfico está com dificuldades, pois muitas pessoas baixam músicas pela Internet.
Só que em pouquíssimas situações as pessoas param para ouvir. Em geral, a música é ligada como um fundo para fazer faxina, conversar com os amigos, happy hour num bar ou shopping, criando uma insuportável competição sonora.
Segundo Susane Langer, "o rádio, é claro, oferece todos os meios de aprender a ouvir, mas também abriga um perigo- o perigo de aprender a não ouvir; e este é maior, talvez, que sua vantagem. As pessoas aprendem a ler e estudar com música- algumas vezes música bela e vigorosa- tocando no fundo. À medida que cultivam a desatenção ou a atenção dividida, a música enquanto tal se torna cada vez mais um estimulante ou sedativo meramente psicológico (conforme o caso, ambas as funções são possíveis), do qual gozam mesmo durante conversas. Dessa maneira, elas cultivam a audição passiva, que é a própria contradição do escutar".
Um colega certa vez me disse que não consegue ouvir música fazendo outra atividade. Isso porque como ele é músico, a música o faz pensar na estrutura, harmonia, instrumentação, caráter, expressividade. A música o incomoda de tal forma que ele não se concentra para fazer uma atividade paralela.