quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dá pra abraçar o mundo?


Estava debatendo no meio acadêmico sobre a questão da formação do instrumentista. Ainda há o estereótipo de que improvisação, espontaneidade e ouvido são atributos do músico "popular" e que técnica, leitura e refinamento são do músico chamado "erudito". Em outras postagens, falei o motivo de eu preferir o termo "música de concerto" ao termo "erudito". De qualquer maneira, rotular não é legal.
Eu estava defendendo uma formação integrada. Aí uma professora falou: mas como a gente faz? É muita coisa.
Eu concordo com ela que é muita coisa. Não dá pra abraçar o mundo. Tem tantas possibilidades de repertórios, de gêneros musicais. Alguns músicos se especializam em um compositor específico,um período da história da música ou um gênero.
Um professor que estava lá na discussão falou uma coisa interessante. O importante é o início da formação. Aí eu pensei que realmente. O início da formação não pode bitolar. Posteriormente ao se aprofundar mais ou se tornar profissional, a pessoa seleciona uma vertente, um compositor ou repertório.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Leitura relativa e direcionalidade

Às vezes o que parece óbvio, não é. Por exemplo, não é óbvio para alguns alunos que quando a bolinha sobe na pauta, a direção do teclado é para a direita.
É muito importante o trabalho de leitura relativa e direcionalidade. Há pessoas que por aprenderem somente a leitura absoluta, não conseguem ler um pequeno trecho pensando de maneira relativa.
Esses dias propus um exercício de leitura relativa. Não havia clave nenhuma. O aluno tinha que decidir por qual nota iniciar. Uma aluna viu uma nota na primeira linha e falou: "aqui é mi, né?" Eu disse que não. Se houvesse a clave de sol, aquela nota seria mi. Ela poderia decidir por qual nota começar. Aí ela repetiu: "Mas é mi, né?" Aí eu novamente expliquei.A ficha dela caiu e ela decidiu começar por outra nota.
A gente bitola muito fácil. Basta aprender algo de um jeito e a gente fica preso na caverna,pensando que só funciona daquela maneira. Um exemplo de bitolação, eram os métodos de dó central. Mas isso já é outra história.